Classificação de café define o destino dos grãos brasileiros
Trabalho envolve uma avaliação criteriosa de diferentes características físicas e sensoriais que ajudam a identificar o potencial e a qualidade do café Cr...
Trabalho envolve uma avaliação criteriosa de diferentes características físicas e sensoriais que ajudam a identificar o potencial e a qualidade do café Crédito: Divulgação. A classificação de café é uma das etapas mais importantes da cadeia cafeeira. É nesse processo que profissionais especializados avaliam atributos físicos e sensoriais dos grãos, identificam padrões de qualidade e ajudam a direcionar cada lote para os mercados mais adequados. Embora atuem nos bastidores, esses especialistas exercem influência direta sobre a comercialização do café brasileiro, atendendo desde o mercado interno até compradores internacionais com exigências específicas. Na Cooxupé, maior cooperativa de café arábica do mundo, essa atividade tem papel estratégico na conexão entre o trabalho realizado pelos cooperados e as demandas dos clientes. Durante a safra, quando o volume recebido aumenta significativamente, a atuação dos classificadores se torna ainda mais essencial para garantir que cada lote seja avaliado com precisão e encontre o destino comercial mais adequado. O que um classificador observa ao receber uma amostra de café? A análise começa antes mesmo da prova da bebida. O trabalho envolve uma avaliação criteriosa de diferentes características físicas e sensoriais que ajudam a identificar o potencial e a qualidade do café. Segundo Luiz Evandro Ribeiro, classificador de café da Cooxupé, os primeiros aspectos observados são fundamentais para compreender o perfil do lote. “O classificador analisa o aspecto do café, sendo a umidade, cor, seca, cheiro, uniformidade e o perfil da bebida”, explica. Esses elementos fornecem informações importantes sobre a condição do produto e permitem identificar características que serão determinantes para sua classificação e comercialização. Classificação do café tem papel estratégico na conexão entre o trabalho realizado pelos produtores cooperados e as demandas dos clientes Crédito: Divulgação. Quanto da classificação de café depende da técnica e da experiência? A atividade exige conhecimento técnico, treinamento constante e domínio dos protocolos utilizados pelo setor. Mas a experiência acumulada ao longo dos anos também faz diferença na interpretação das características de cada café e, principalmente, no entendimento das necessidades do mercado. Para Luiz Evandro, um dos principais desafios da profissão é compreender as exigências de cada cliente e de cada destino comercial. “O classificador tem que ter conhecimento de cada mercado, externo e interno, para compreender cada cliente e suas exigências", afirma. Essa combinação entre técnica e experiência permite que a avaliação vá além da identificação de atributos. O profissional precisa entender quais características são valorizadas por diferentes compradores e quais perfis de café atendem às demandas de cada segmento. Na Cooxupé, eles também atuam em mercados que exigem padrões específicos de qualidade e certificações reconhecidas internacionalmente. “Nós, classificadores da Cooxupé, somos Q-Graders para analisar cafés especiais com alinhamento junto à SMC Specialty Coffees, e também especiais voltados para espresso illycaffè. No café commodity, nossos padrões são conhecidos por todos os nossos clientes", destaca Luiz Evandro. Processo de Classificação identifica padrões de qualidade e ajuda a direcionar cada lote para os mercados mais adequados Crédito: Divulgação. Como a classificação influencia a comercialização do café? A classificação está diretamente ligada ao posicionamento comercial dos lotes. A partir das análises realizadas, é possível identificar quais atendem aos requisitos de determinados compradores e mercados. Por isso, conhecer as exigências de cada cliente é parte essencial da rotina dos profissionais. O trabalho contribui para que os cafés sejam direcionados aos mercados mais adequados, fortalecendo a relação de confiança construída entre a cooperativa e seus compradores ao longo dos anos. Para os cooperados, esse processo também representa uma oportunidade de valorização. Uma avaliação precisa permite reconhecer características específicas dos lotes e identificar possibilidades comerciais alinhadas ao perfil de cada grão. O que acontece com a classificação de café durante o pico da safra? Se a responsabilidade dos classificadores é grande ao longo de todo o ano, durante a colheita ela ganha uma dimensão ainda maior. O aumento no volume de café recebido exige uma estrutura preparada para manter a agilidade e o rigor das análises. Segundo Luiz Evandro, o movimento cresce significativamente nos meses de maior intensidade. “No pico da safra, recebemos a média de 1.200 amostras por dia”, relata. O número ajuda a dimensionar a importância da estrutura de classificação da Cooxupé. Cada amostra recebida precisa passar por uma avaliação cuidadosa para garantir que os padrões de qualidade sejam mantidos e que as informações geradas apoiem as decisões comerciais da cooperativa. Na Classificação, profissionais especializados avaliam atributos físicos e sensoriais do café Crédito: Divulgação. Como os classificadores se preparam para esse período? Para acompanhar o aumento da demanda, a cooperativa reforça sua estrutura operacional, contribuindo para manter a eficiência do processo sem comprometer o rigor das análises. Como o Laboratório de Classificação se organiza durante a safra? Além da ampliação das equipes, o laboratório adota uma dinâmica específica para atender ao fluxo intenso de amostras que chegam diariamente durante o período de colheita. “Dividimos o pessoal em duas escalas de trabalho”, conta Luiz Evandro. A organização das equipes permite que o processo acompanhe o ritmo da safra, o que garante eficiência operacional e suporte às demandas dos cooperados e dos mercados compradores. Por que a classificação de café é tão importante para o setor? O trabalho reúne conhecimento técnico, experiência sensorial e entendimento das exigências do mercado. Dessa forma, a classificação influencia diretamente a comercialização dos grãos. Ao identificar características físicas e sensoriais dos cafés, os classificadores ajudam a construir uma ponte entre a produção e o consumo. Isso garante que os padrões exigidos pelos compradores sejam atendidos. O resultado desse trabalho impacta toda a cadeia, desde o produtor até o consumidor final. Na Cooxupé, essa atividade ganha relevância pela dimensão da operação e pela diversidade de mercados atendidos. O trabalho realizado pelos classificadores, em alinhamento com as demandas dos clientes e da SMC Specialty Coffees, ajuda a fortalecer a reputação dos cafés comercializados pela cooperativa e a expandir as oportunidades para os cooperados.